A idealização das mulheres em terra sem príncipe encantado

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De acordo com um estudo realizado pelo psicanalista Luiz Cuschnir, a mulher moderna tem consciência de que não existe príncipe encantado. Mas, mesmo dispensando o cavalo branco, as batalhas por reinos e armaduras, esta ainda possui uma imagem idealizada do homem de seus sonhos.
Mas como essa idealização, incutida em nossas mentes por filmes, literatura de bom grado, conversas com amigas e anos de conselhos maternos, atrapalha nossa construção de relacionamentos amorosos?
No musical ''Todos Dizem Eu Te Amo'', Woody Allen interpreta um homem que, ao se interessar por uma mulher (Julia Roberts) e ouvir o que ela espera dos homens, muda totalmente o seu jeito só para se encaixar no ideal esperado. O resultado? Ela se cansa. Ele acaba sendo certinho demais, inteligente demais e cuidadoso demais. Agora ela quer alguém que a tire dos trilhos, com rebeldia.
Sei que maioria de nós, mulheres, reclama que ''os homens não prestam'', ''ele não queria nada além de sexo e eu queria compromisso '', ou ainda que teve anos de corações partidos e por isso tem aquela relutância em se envolver porque a sensação de ''senta que lá vem história'' chega como um furacão.
Sinto ser eu, solteira há 2 anos, amante alucinada de Milan Kundera e Devendra Banhart, que comunicarei as boas novas más : a gente não sabe o que quer. Construímos uma fantasia que homem nenhum é capaz de dar conta, e a fusão de nossa idealização com a impaciência dos homens resulta num desencontro de perspectivas, que não cabe na expectativa nem de um e nem do outro.
Mulher é carente, sofre pressão interna e externa para ter um namorado, excesso de culpa pelo fim da relação anterior (que leva à condensação de corações partidos, citado anteriormente) e todo o processo cultural patriarcalista que por anos levou a mulher a acreditar que toda a frustração ou problemas do mundo eram por sua culpa. Você é mais que isso, querida!
Você merece mais que o moderninho fã de Edgar Allan Poe que pede um descafeinado toda vez que você o vê no Starbucks. Merece mais do que o cara que jurou que queria casar contigo e que nunca mais te ligou depois que passaram aquele fim de semana in-crí-vel em Santos. E com certeza merece mais do que tudo isso que você imagina, porque se tem uma coisa que eu aprendi com Roupa Nova, Cazuza, Beatles e Edith Piaf é que nada do que você imagina acontece 100%.
O destino tricota toda a tua história com fios de ouro e dando várias escapadas, pra no final você acabar sua própria heroína, com um sorrisão iluminando os lábios pintados de batom vermelho.
Então, se eu posso te dar qualquer conselho é : viva. Sem comparar, romantizar ou distorcer as características de sua cara metade. O cara com camiseta velha que ganhou do pai, que você nem dá bola quando dividem um elevador é bem mais legal que o modelo metido a Caio Castro.

Marília Garcia

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