Wes Anderson segue sua velha fórmula em O Grande Hotel Budapeste

Sim, isso é um post sobre cinema. Eu sei que sumi com esse meu lado mas ainda posso usar a falta de tempo como desculpa pela enrolação de mais posts sobre cinema? Ontem eu finalmente assisti O Grande Hotel Budapeste, um filme do Wes Anderson, confesso que o diretor me conquistou desde o seu último filme, Moonrise Kingdom

A história à primeira vista parece ser infantil e sem pretensão, mas Anderson aproveita  este lado com a utilização de uma cartela de cores incrível, fotografia, trilha sonora e ótimos atores (que fazem personagens praticamente fixos na história), para fazer uma crítica social utilizando recursos impecáveis para seu filme ser considerado uma perfeita obra de arte. 




O figurino incrível também tem seu charme na história, foi criado por uma das profissionais mais premiadas de sua geração, a italiana Milena Canonero e para se ter uma ideia seus figurinos são bem marcantes no supercult como Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, e  Maria Antonieta, de Sofia Coppola (E que estão na lista dos meus filmes favoritos hehe). 
Milena contou com a colaboração de marcas como Prada e Fendi para construir o guarda-roupa de alguns dos personagens. A Fendi usou sua expertise em pele para criar peças para Tilda Swinton, a incrível Madame D. 



A figurinista pediu a Miuccia Prada para criar um conjunto exclusivo de 21 malas e baús e um trench coat em couro especialmente para os dois personagens protagonistas, Madame D. e Jopling. As 21 peças foram inspiradas nos modelos vintage da marca e refletem o glamour dos anos 1920 e 30. Os objetos desenvolvidos por Miuccia estão sendo expostos em algumas lojas da Prada pelo mundo, como em Tóquio e Berlim, acompanhando o calendário de premières do filme.




No Grande Hotel, uma fã visita a estátua do autor, tendo em mãos o livro de memórias dele.
Quando ela abre o livro, vem a boneca seguinte: alguns anos antes, o tal autor reconta sua passagem, na juventude, em 1968, pelo já decadente hotel do título, localizado em Zubrowka (república nos Alpes europeus), embora fictícia, não passou incólume pela influência soviética no pós-guerra. Do proprietário, o escritor escuta um relato que remonta a 1932, quando o hotel, no seu auge, foi palco de um imbróglio envolvendo o concierge Gustave, uma viúva rica, herdeiros ardilosos e uma pintura inestimável. 

Mesmo o filme parecendo uma grande brincadeira em uma casa de boneca há uma meia-dúzia de temas universais que se revelam nesse processo de desembrulhar coisas, que é a experiência de ver O Grande Hotel Budapeste, desde o trauma da guerra até a pequena história de amor de perdição.


Outro aspecto incrível da história é que ela é retratada respeitando as janelas de projeção usadas nas épocas em que a trama se passa, desde o 1.85 dos dias de hoje até o 1.33 dos anos 1930. Mas não é a menor: em algumas cenas em 1932, Anderson recorre a miniaturas e animação em stop-motion para filmar cenários e cenas de ação, como a perseguição na neve.

No universo do hotel percebemos que o importa é a memória do que permanece, de tudo aquilo que se vê e que não se esquece, os valores que são perdidos e que são mostrados ao decorrer do filme como maior qualidade que se pode obter.
O fato da história se passar em um hotel tem uma grande importância, um lugar como esse ondes coisas passam, pessoas vão e vem além de não ser um lar fixo para a maioria das pessoas que o frequentam. 

Isso me lembra o Iluminado do Kubrick, não? 
A história também se passa em um hotel onde é natural das pessoas irem e virem, lembranças e malas tomarem seu percurso. No universo do Kubrick, Jack é contratado para ser vigia em um hotel, assim como o concierge Gustave do Wes Anderson. 
Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas mentais sérios e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso, ao mesmo tempo que seu filho Danny passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado. Anderson brinca com o passado e o presente o tempo todo no decorrer do filme. E nada melhor do que o ambiente de um hotel para o decorrer dos fatos. 

Alguém já assistiu o O Grande Hotel Budapeste? 


Beijos, 

Baá Martinez

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